quarta-feira, 22 de outubro de 2014

RoboCop (2014)

É bem verdade que tem alguns defeitos relevantes, mas é um filme tão, mas tão bom, que juro que nem ligo. Ah, impossível analisar um remake sem compará-lo ao original, então...

Sobre o roteiro: Na humilde opinião deste que vos escreve, a versão de 2014 traz um roteiro muito mais maduro e ousado do que a de 1987, de Paul Verhoeven. Este é um dos probleminhas do longa: Muitas ideias, pouco tempo. Sério, daria uma série interessantíssima, que levaria o estúdio que a produzisse a bater recordes de gastos, se todos os temas abordados pelo filme tivessem o tempo necessário para se desenvolver. Não têm. Saí do cinema com um pouco daquela sensação de 'onde eles queriam chegar com aquilo?'. Nada que comprometa, apenas incomoda e frustra um pouco. Bola pra frente.

O que parece ser o dilema moral central do filme é a ideia de drones sendo usados em substituição a seres humanos. No roteiro, as máquinas são usadas em todas as guerras (ou seus eufemismos) em que os EUA se meteram fora de seu território. São seguras (para seus donos, pelo menos) e eficientes, porém, não são aceitas como substituição para policiais em território norte-americano. Alguém tem a ideia de fazer um híbrido entre homem e máquina, e escolhem um policial vítima de uma bomba para cobaia. Gosto muito da forma como esta questão é abordada. Gosto das alfinetadas que o diretor, conhecido como um crítico desta mentalidade de combate ao crime, dá no público-alvo de sua obra, muito embora não seja ele o roteirista. O roteiro traz um monte de outras questões éticas e morais, e deixa o espectador decidir o que ele acha de cada uma delas, deixando relativamente clara a sua opinião. Destaque para a presença da família de Alex Murphy, que foi ignorada em 1987.

Pra citar outro ponto que achei indigno do alto nível do filme, o personagem que cria drones 'concorrentes' do projeto RoboCop, um vilão mesquinho que age de forma extremamente desproporcional apenas por ter seu orgulho ferido, era totalmente desnecessário, e só serve pra agradar os fãs de maniqueísmos.

O que este filme tem de especial? Um bom roteiro, grandes cenas, excelentes efeitos especiais, reflexões inteligentíssimas, críticas pesadas na cara da sociedade, e uma trilha sonora formidável (sensacional ouvir 'Hocus Pocus', do Focus - talvez um jeitinho de colocar algo neerlandês numa criação de outro neerlandês, mas é mais provável que tenha sido coincidência). Não é um filme impecável, traz clichês e poderia ser consideravelmente melhor construído, Porém, ainda assim, mesmo com suas mazelas, um filme imperdível, que credencia o excelente diretor José Padilha para mais obras deste calibre e deste orçamento. E são muitos os que dizem que este teve seu trabalho boicotado e limitado por ser brasileiro, por mais que o próprio Padilha negue. Nunca saberemos, eu acho.

Quando e com quem assistir a este filme? Tem muitas cenas pesadas de violência. Muito embora nem chegue perto da sanguinolência de Verhoeven, é muito mais realista, até por ter um orçamento incomparavelmente maior. Evite os sensíveis. Reacionários, no entanto, são o público ideal pra ver escancaradas na tela as simulações de algumas de suas ideias aplicadas na prática. É um bom filme de ação, com tiros, explosões e etc, porém é um filme muito mais inteligente do que a média dos seus congêneres. E muito mais inteligente do que o roteiro original.

Ficha técnica:

Elenco: Joel Kinnaman - Alex Murphy / RoboCop
Gary Oldman - Doc. Dennett Norton
Michael Keaton - Raymond Sellars
Samuel L. Jackson - Pat Novak
Abbie Cornish - Clara Murphy
Jackie Earle Haley - Rick Mattox
Patrick Garrow - Antoine Vallon
Direção: José Padilha
Produção: Marc Abrahan & Eric Newman
Roteiro: Joshua Zetumer
Trilha sonora: Pedro Bronfman
2014 - EUA - 121 minutos - Ação / Ficção científica

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

In time (O preço do amanhã)

Aquela sensação quase unânime: O filme tinha tudo pra ser excelente, mas não é. E isso é uma pena.

Sobre o roteiro: Uma premissa intrigante, com grande potencial: Um futuro próximo onde os seres humanos não morrem mais de causas naturais. Para não haver superpopulação, todo mundo vive até os 25 anos, e então, param de envelhecer, mas só tem mais um ano de vida, contado num relógio em contagem regressiva. Quem quiser viver mais que isso, tem que 'pagar'. O tempo é a moeda desta sociedade distópica, numa metáfora que é o ponto forte do que poderia ser um filmaço. Como não poderia deixar de ser, existem ricaços, que tem todo o tempo do mundo, e existem miseráveis, nos guetos, que tem pouquíssimo tempo pra viver, e se viram como podem pra conseguir ver o próximo nascer-do-sol. Um dia, aparece um rico no gueto, com tendências auto-destrutivas, e passa todo o seu um século de tempo para o protagonista, que passa a ter a responsabilidade de fazer bom uso dele, e começa uma aventura para conhecer as origens do problema, desmascarar o sistema, e tentar levar justiça e equilíbrio social, como um revolucionário fora-da-lei. Enquanto isso, se desenrola um romancezinho clichê com a filha do 'vilão', uma saga paralela de uma pequena quadrilha que vive de roubar o tempo dos outros, e dos guardiões do tempo, a versão da polícia no roteiro, especialmente um deles, obcecado por fazer cumprir a lei, fazendo o típico investigador implacável e inexorável.

O que este filme tem de especial? Tem uma premissa que dava pra fazer muita coisa. Muita coisa mesmo. De fato, essa premissa daria um seriado longevo. Mas dá um filme meia-boca, Elenco fraco (com exceção de Olivia Wilde, mas sua personagem tem pouco tempo de atuação, nos dois sentidos), roteiro ruim, cheio de furos bobos e facilmente sanáveis, personagens mal construídos, clichês atrás de clichês, fragmentos mal costurados, e mesmo os efeitos especiais mandam mal, especialmente na trágica cena em que o conversível cai da ponte, e os ocupantes saem apenas chamuscados e atordoados. No entanto, ainda assim o filme vale a pena por, mesmo conduzindo muito mal, rende uma discussão interessante. Muito interessante. O bastante pra justificar assistir ao longa.

Quando e com quem assistir a este filme? O filme é fácil, infelizmente. Podia ser mais complexo, e ser muito mais interessante, mas foi feito para ser um filme de ação, não um filme para pensar. Então dá pra ver com qualquer um com baixas expectativas. Sem palavrões, sem sexo, sem violência exagerada, um típico filme feito para ser blockbuster.

Ficha técnica

Elenco: Justin Timberlake - Will Salas
Amanda Seyfried - Sylvia Weis
Cillian Murphy - Raymond Leo
Olivia Wilde - Rachel Salas
Vincent Kartheiser - Phillip Weis
Direção: Andrew Niccol
Produção: Andrew Niccol, Marc Abraham, Amy Israel & Eric Newman
Roteiro: Andrew Niccol
Trilha sonora: Craig Armstrong
2011 - EUA - 109 minutos - Ação / Ficção científica

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Tremors (O ataque dos vermes malditos)

Mais um filme que o título em português é uma pérola, mas deixa pra lá.

Sobre o roteiro: Clássico filme de terror e comédia, o infame "terrir". Roteiro besta, legal mesmo é o desenrolar das coisas. Uma pacata cidade essencialmente caipira dos EUA começa a registrar tremores de terra inexplicados. E algumas bizarrices começam a acontecer, até que se descobre a causa: Criaturas colossalmente gigantescas que vivem no subsolo e estão famintas. Daí pra frente não tem muito o que dizer sobre o roteiro. Se fosse um filme pra ser levado à sério, eu provavelmente pararia por aí (como eu deveria ter feito com Splice), mas aqui o toque de comédia, e a intenção de conduzir o filme como uma aventura, e não um suspense clássico dão mais credibilidade, e a licença poética permite apreciá-lo adequadamente. E o resultado disso é muito bom.

O que este filme tem de especial? Coragem. Traz um roteiro sem nenhum potencial, com péssimas perspectivas, e ainda assim trunfa como um filme que já atingiu o status de Cult e de clássico. É um filme tosco, que não quer disfarçar isso. Veste a camisa da proposta, e acontece. Como Grindhouse. E é um entretenimento divertidíssimo. Recheado de elementos gore, o que pessoalmente não sou fã, mas é indispensável para a narrativa. É um daqueles filmes que a gente assiste, e se pergunta "porquê estou assistindo isso?", mas gosta.

Quando e com quem assistir a este filme? Não me lembro de nenhuma única cena de sexo no filme, mas vermes gigantes explodindo e devorando pessoas pode não ser algo que todos apreciem. E isso o filme tem demais. Não creio que deixará ninguém sem sono, porque a abordagem é muito mais cômica do que dramática.

Ficha técnica

Elenco: Kevin Bacon - Val McKee
Fred Ward - Earl Bassett
Finn Carter - Rhonda LeBeck
Michael Gross - Burt Gummer
Reba McEntire - Heather Gummer
Robert Jayne - Melvin
Direção: Ron Underwood
Produção: Gale Anne Hurd
Roteiro: S. S. Wilson, Brent Maddock & Ron Underwood
Trilha sonora: Ernest Troost & Robert Folk
1990 - EUA - 96 minutos - Terror / Comédia

Jesus Christ Superstar (Jesus Cristo Superstar) (1973)

Saber que o filme é um musical é um motivo pra que eu automaticamente o coloque bem embaixo na lista de prioridades de filmes à assistir. Jesus Christ Superstar é o filme que mudou isso. E me arrependo de ter demorado tantos anos pra tê-lo visto.


Sobre o roteiro: Spoiler: Jesus morre. Enfim, acho que não tem lá muita surpresa no roteiro, é aquilo que todo mundo já conhece. Porém há sim um ponto muito positivo a ser destacado no roteiro. Acho que mais de um.


A trama se passa entre a chegada de Jesus do deserto e sua crucificação. Se concentra em dois personagens principais: Jesus, como não poderia deixar de ser, e Judas Iscariotes. E isso faz o primeiro diferencial. Temos um Judas que não é um simples traidor, que entrega Jesus por dinheiro e nada mais. Temos um personagem complexo, idealista, que se vê frustrado por Cristo fazer tantas coisas boas e inflamar a multidão, mas não aproveitar isso para mudar a vida das pessoas, através de sua influência. Não o vê como um Deus, mas sim como um líder admirável. E com receio do rumo que as coisas podem tomar, e com decepções quanto a seu mestre, aí sim o personagem se transforma. Uma abordagem interessantíssima.

Também chama a atenção o uso de anacronismos, como tanques de guerra, caças e metralhadoras há mais de 2000 anos. E o figurino de alguns personagens, como calças boca-de-sino e cores ultra-chamativas, bem características dos hippies e dos anos 70.

O que este filme tem de especial? A música. Tá, não é a única coisa, mas é a melhor coisa. Nada mais justo, é um musical, porém, diante de tantos musicais chatos e entediantes que estão no mercado (não vou citar nenhum pra não causar polêmica) que valorizam atuação, figurino, cenário, efeitos especiais, e etc, e tem uma música sem nada de interessante, há de se fazer justiça a um trabalho ímpar de Andrew Lloyd Webber, que não foi nada menos do que genial nas composições. Quem não assistiu, criem grandes expectativas, se gostar de Rock 'n' roll psicodélico e progressivo. É 'bom de com força' o negócio. Já baixei as músicas e estão na playlist, e são as mais ouvidas nos últimos dias. Grandioso.

Claro, a música não seria tão boa se seus intérpretes não estivessem à altura. E estão. Os atores são de uma competência de fato tão grande que muito me surpreendeu pesquisar sobre eles e não encontrar outros trabalhos tão relevantes quanto este. Estão no mesmo nível de alguns dos meus cantores favoritos. Também merece crédito as bizarras coreografias, típicas da época, especialmente durante as músicas "What's the buzz" e "Simon Zealotes". E o já citado figurino. Não podemos esquecer que o filme é uma adaptação de um musical da Broadway, homônimo.

Quando e com quem assistir a este filme? Assisti ao filme com um certo receio sobre como seria a abordagem, do ponto de vista religioso, mas pelo menos eu não percebi nenhum ponto polêmico à ponto de recomendar que se evite assistir com algum chato cabeça fechada. Creio que vale à pena assistir com qualquer um. Que goste de Rock. Porque é muito Rock 'n' roll! Se possível, priorize conseguir assistir com o áudio na maior qualidade que puder ter acesso.

Ficha técnica:

Elenco: Ted Neeley - Jesus Christ
Carl Anderson - Judas Iscariot
Yvonne Elliman - Mary Magdalene
Barry Dennen - Pontius Pilate
Bob Binghan - Caiaphas
Kurt Yaghjian - Annas
Josh Mostel - King Herod
Philip Toubus - Peter
Larry Marshall - Simon Zealotes
Richard Orbach - John
Direção: Norman Jewinson
Produção: Robert Stigwood & Norman Jewinson
Roteiro: Melvyn Bragg (baseado no texto de Tim Rice)
Trilha sonora: Andrew Lloyd Webber
1973 - Reino Unido - 106 minutos - Musical

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Oblivion

Superprodução, super elenco, super orçamento, nem sempre resultam num super filme. Oblivion não é ruim, e esboça um roteiro com potencial, mas é fraco e previsível. O que é uma pena.

Sobre o roteiro: O filme se passa num futuro pós-apocalíptico, após a Terra enfrentar uma guerra contra uma raça alienígena, que destruiu o nosso planeta, forçando os poucos sobreviventes a viver em Titan, uma lua de Saturno. Existe uma estação espacial gigantesca que recolhe os poucos recursos naturais que restaram do mundo para levar para a nova colônia. Porém, alienígenas habitando o que sobrou da Terra, os "saqueadores", tentam impedir, tentando destruir o drones bélicos enviados para garantir a segurança da missão. Um casal de técnicos fica em estações especiais na Terra para dar eventuais manutenções em drones danificados. Até que um dia, cai uma nave desconhecida, com tripulação humana em estado de hibernação, e os drones tentam matar os sobreviventes, sendo impedidos pelo protagonista, em tempo de salvar pelo menos a última. Ao ver esta pessoa, ele começa a ter flashes de memórias que foram apagadas, por motivo de segurança. Aí, o roteiro vira outra coisa. Outra coisa, infelizmente, previsível, e muito pouco original. E abusa de clichês até o final, inclusive o próprio final.
Enfim, dá aquela sensação de que a história poderia ser mais bem contada, ou que o contexto permitia uma coisa bem melhor. Mas não chega a ser uma vergonha, ou perda de tempo. Só decepciona.

O que este filme tem de especial? Bom, tem Tom Cruise, Morgan Freeman, efeitos especiais estrondosos (é futuro, cara...) mas mesmo com os dois, em atuações fracas e apáticas, o filme não convence. Então, acho que é isso que o filme tem de especial.

Quando e com quem assistir a este filme? Entretenimento simples, cenas de ação, efeitos especiais... me parece o tipo de filme que meninos de 14 ou 16 anos adorariam, e quem gosta desses elementos acima, também. Fora isso... sei lá, não é um filme ruim, só não façam questão de ver.

Ficha técnica

Elenco: Tom Cruise - Jack Harper
Morgan Freeman - Malcom Beech
Olga Kurylenko - Julia Harper
Andrea Riseborough - Vika
Nikolaj Coster-Waldau - Sykes
Melissa Leo - Sally
Zoë Bell - Kara
Direção: Joseph Kosinski
Produção: Joseph Kosinski, David Fincher, Peter Chernin, Dylan Clark, Barry Levine & Duncan Henderson
Roteiro: Joseph Kosinski, William Monahan, Karl Gajdusek & Michael Arndt
Trilha Sonora: Anthony Gonzalez, Joseph Trapanese & M83
2013 - EUA - 124 minutos - Ação / Ficção científica


sábado, 31 de agosto de 2013

Cloud Atlas (A viagem)

Existem filmes que são puro entretenimento. A gente assiste, acha legal (ou não), comenta com os amigos, depois assiste outro, e a vida segue. Outros, não. Alguns títulos são especiais, nos fazem pensar, refletir, discutir, e se tornam referências para a posteridade. É pretensioso fazer uma obra assim, e poucas realmente obtém o sucesso pretendido. Mas creio que esta é uma delas. Uma obra pra se colocar no mesmo Hall de filmes como 2001: A space odissey, Matrix, e Butterfly Effect.

Sobre o roteiro: Pode não ser exatamente pioneiro, mas não me lembro de outro filme, ou obra fictícia qualquer que tenha se valido de um roteiro construído da mesma forma deste. Seis histórias, contadas em seis diferentes períodos de tempo, se desenrolam simultaneamente. Porém, uma história influencia a outra, criando uma atmosfera atemporal de reflexões aplicáveis, sobre como decisões simples do passado podem afetar drasticamente o futuro.

Cada uma das histórias provavelmente já seriam suficientemente boas para se justificar um filme inteiro só sobre elas. Mas gostaria de citar elementos particularmente interessantes sobre algumas delas: A crise conceitual de "certo e errado" da primeira história (cronologicamente), a noção de moralidade da segunda história, o jogo político das indústrias energéticas na terceira história, o conceito de "quem os asilos e demais instituições do gênero realmente estão ajudando, e como o fazem", na quarta história, o desenvolvimento e o papel da religião meio aos povos ignorantes na sexta história, e, principalmente, a quinta história. Inteira. Enfim, um prato cheio pra discussões filosóficas. E ainda cabe destaque para os recursos roteirísticos usados para ligar as histórias.

O que este filme tem de especial? Além de um dos melhores roteiros já feitos, sobram um caminhão de coisas boas pra falar do filme. A direção, por conta dos meus diretores favoritos - os irmãos Wachowski - e Tom Tykwer, é muito chamativa. As formas como usam a tensão gerada por uma cena de uma história e rapidamente conectam a outra das histórias, as quebras de ritmo e tensões súbitas, enfim, salta aos olhos o excelente trabalho deles. 

Necessário também falar do elenco estelar, que além de reunir grandes e talentosos nomes, conta também com outros atores de menor prestígio, mas não menor talento e relevância para o filme. Isso se faz particularmente importante, porque vários atores interpretam vários personagens, como Tom Hanks por exemplo, que interpreta um personagem diferente em cada uma das histórias.

Além disso, efeitos especiais dignos de quem já revolucionou a história de Hollywood, maquiagem primorosa (deixar 6 personagens diferentes, interpretados pela mesma pessoa, com cara de 6 personagens diferentes, não deve ser fácil), cenários deslumbrantes, fotografia criativa e não-clichê, e tudo mais que se pode esperar de um filme top de linha. Mesmo sendo uma produção independente (diga-se de passagem, uma das mais caras produções independentes de todos os tempos).

Quando e com quem assistir a este filme? Recomendado para pessoas que gostam de um filme mais inteligente e desafiador. E pra quem gosta de assistir um filme que quase precisa ser assistido mais de uma vez. E pra quando tiver tempo, são quase 3 horas de filme. Ah, tem uma ou outra cena de violência mais brutal aqui e ali, umas cenas de sexo um pouco mais quentes, e um casal gay. Tá, é século XXI, mas se você sabe que tem algum idiota preconceituoso por perto, já fique avisado.

Ficha técnica

Elenco: Muito complexo para os moldes do blog. Melhor consultar aqui: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cloud_Atlas_(filme)#Elenco
Direção: Andy Wachowski, Lana Wachowski & Tom Tykwer
Produção: Grant Hill, Stefan Arndt, Tom Tykwer, Andy Wachowski e Lana Wachowski
Roteiro: David Mitchel (autor do livro)
Trilha sonora: Tom Tykwer, Johnny Klimek & Reinhold Heil
2012 - Alemanha / Singapura / Hong Kong / EUA - 172 minutos - Ficção científica

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Dogville

Um filme pesado. Bonito, intrigante, surpreendente, devastador, perturbador, diferente, mas, acima de qualquer outra coisa, um filme pesado.

Sobre o roteiro: A ideia é simples. Durante a "Grande Depressão" dos EUA, no começo dos anos 30, existia um pacato vilarejo, habitado por simples cidadãos entre as montanhas, no qual nada de diferente acontecia. Até que um dia, chega à cidade uma jovem em fuga. De imediato, um dos moradores lhe oferece abrigo de seus algozes, e a acoberta. Uma vez apresentada aos demais moradores, e submetida a decisão deles para poder permanecer na cidade, ela se oferece para fazer pequenos serviços em troca da hospitalidade que lhe fora oferecida de bom grado. Tudo segue calmamente, até que no dia da Independência, aparece um policial na cidade, com um cartaz de "Procurada" com a foto da moça. Todos continuam lhe acobertando, mesmo sabendo do risco que correm, porém, aos poucos vão "aumentando o preço" da "colaboração" deles, revelando quem realmente são os moradores de Dogville. E esta é a tônica que conduz o filme, até o seu inimaginável e catártico final, que afirmo, sem medo, ser o que mais me perturbou até hoje no cinema. Até mesmo mais do que o já "desgraçado" final de The Mist.

O que este filme tem de especial? Á primeira vista, o que mais salta aos olhos nesta obra é o cenário. O filme inteiro foi filmado em um galpão. O cenário é muito semelhante ao de obras teatrais. As casas e demais construções são apenas marcações no chão, com alguns móveis ou objetos que ajudam a identificar os diferentes locais da vila. A única rua da cidade também é apenas o que se encontra entre duas longas faixas pintadas no chão. E não há um "céu" visível, tornando a diferenciação entre dia e noite possível apenas pela iluminação. Com isso, boa parte da atuação dos personagens faz referência ao chamado "Teatro do absurdo". Por exemplo, ao atravessar uma porta, os atores manipulam uma maçaneta inexistente, puxando e fechando uma porta imaginária. Este cenário vai muito além de uma eventual economia de custos, ou de uma forma excêntrica de se fazer cinema. Vemos a utilidade deste recurso em cenas que querem expressar a ideia de que todos estão vendo o que está acontecendo em todas as partes, mas preferem fingir que não sabem, que há uma parede que não as deixa ver. Sacada genial. Alie-se a isso as técnicas minimalistas de direção de Lars Von Trier, e temos uma obra que servirá de referência por muitos anos. Ah! O filme não tem trilha sonora.

Também há aqui atuações marcantes, como a de um Paul Bettany completamente patético, de um James Caan com personalidade irretocável, e possivelmente a melhor atuação de Nicole Kidman.

Quando e com quem assistir a este filme? Vou repetir: É um filme pesadíssimo. Já ouviram falar do "Casamento Vermelho" de Game of Thrones? Temos algo do mesmo nível. Porém, ainda mais chocante. E mais pesado. Só que isso é só o final. O filme não choca com a violência explícita. Choca com a violência psicológica. Não é para qualquer um. Mas é genial. Sem dúvidas, um dos melhores que já vi na minha vida. Merece atenção especial. E recomendo ver acompanhado, pois é um filme que rende muito assunto e reflexões.

Ficha técnica

Elenco: Nicole Kidman - Grace
Paul Bettany - Tom Edison
Harriet Andersson - Gloria
Cloë Sevigny - Liz Henson
Lauren Bacall - Ma Ginger
Blair Brown - Mrs. Henson
Stellan Skarsgard - Chuck
Jeremy Davies - Bill Henson
Patricia Clarkson - Vera
Ben Gazzara - Jack McKay
Philip Baker Hall - Tom Edison Sr.
James Caan - "Big Man"
John Hurt - Narrador
Direção: Lars Von Trier
Produção: Vibeke Wandelov
Roteiro: Lars Von Trier
2003 - Dinamarca / Suécia / Noruega / Finlândia / Alemanha / Reino Unido / França / Países Baixos - 178 minutos - Drama

domingo, 30 de junho de 2013

Mars Attacks! (Marte Ataca!)

Mais um filme completamente non-sense. E um grande clássico do gênero. Com direito a um elenco que reúne um número incomum de grandes nomes do cinema estadosunidense. Ao contrário do que se poderia esperar, normalmente muitos grandes atores no mesmo filme dá um filme ruim. Neste caso, porém, a lógica prevaleceu. Filmaço!

Sobre o roteiro: Pessoalmente, não faço ideia de qual nome seria melhor para o filme, mas acho uma pena que o nome do filme já deixe claro que os marcianos são hostis. Seria interessante ver a cena da chegada dos alienígenas e surpreender completamente o público ao começar um ataque maciço. Mas enfim, resumidamente, este é o roteiro do filme: ET's do planeta vermelho estão invadindo a Terra, e os mais improváveis heróis tem a missão de deter este massacre. Não é bom, concordo. Mas tem uma lenda que eu nunca confirmei a veracidade, que diz que quando Johnny Depp recebeu o roteiro de Pirates of the Caribbean, ele o achou tão ruim, mas tão ruim, que ele topou o desafio, mais pela "zoeira" do que por realmente acreditar que poderia se tornar uma das franquias mais lucrativas da história da sétima arte. Não sei se o espírito aqui é o mesmo, mas fica a impressão de que as coisas são tão sacadas que fica engraçado. Some isso à várias sátiras de filmes com temas semelhantes lançados mais ou menos na mesma época (com destaque para Independence Day), e o roteiro passa a abrir possibilidades interessantes. Nem sempre um bom filme tem um bom roteiro...

O que este filme tem de especial? O espetáculo do humor negro non-sense é o que mais salta aos olhos. Tudo é muito inusitado, desde a ideia de alienígenas com cabeças de brócolis, assassinatos gratuitos aos quilos, o idioma dos marcianos, até o transplante de cabeças entre homem e cachorro.
Além disso, como já disse, um elenco com pelo menos uns 10 atores e atrizes que seriam protagonistas de muitas produções de sucesso. Com direito até a astros do calibre de Michael J. Fox aparecendo praticamente como figurante. O que nos leva aquela coisa meio Game of Thrones de matar personagens importantes sem o menor pudor, mas sempre de forma escrachada. Também contamos com efeitos especiais, por conta da IL&M, de altíssimo nível, ainda mais se considerarmos que o filme já tem 17 anos.

Quando e com quem assistir a este filme? Humor negro é uma característica que meio que seleciona o público por si só. Há quem adore, há quem odeie, mas desconheço quem fique em cima do muro. Porém, é claro que existem diferentes tipos e níveis de humor negro, Há quem considere que há um limite, então, vai minha sugestão: Evite quem não gosta de violência gratuita, e acha Tom & Jerry muito agressivo. Fora isso, lembre-se de que é humor pastelão. Não se preocupe com detalhes e coerência. Apenas ria. Ou não.

Ficha técnica

Elenco: Jack Nicholson - Presidente Dale / Art Land
Gleen Close - Marsha Dale
Pierce Brosnan - Donald Kessler
Annette Bening - Barbara Land
Jim Brown - Byron Williams
Tom Jones - Tom Jones
Rod Steiger - General Deck
Natalie Portman - Taffy Dale
Martin Short - Jerry Ross
Sarah Jessica Parker - Nathalie Lake
Michael J. Fox - Jason Stone
Sylvia Sidney - Florence Norris
Pam Grier - Louise Williams
Jack Black - Billy Glenn Norris
Danny DeVito - Rude Gambler
Christina Applegate - Sharona
Direção: Tim Burton
Produção: Tim Burton & Larry J. Franco
Roteiro: Jonathan Gems
Trilha sonora: Danny Elfman
1996 - EUA - 106 minutos - Comédia / Ficção Científica

sábado, 25 de maio de 2013

The Hitchhiker's Guide to the Galaxy (O guia do mochileiro das galáxias)

Já que é o dia da toalha...

Sobre o roteiro: Não vou fazer nenhuma comparação com o livro, até porque as diferenças entre um e outro foram colocadas justamente pelo autor do livro, Douglas Adams.

Enfim, temos aqui um roteiro bem ao estilo do que Adams costumava escrever para as esquetes do Monty Python: usando e abusando do humor non-sense. Pra quem nunca ouviu falar, a triologia de 4 livros (que na verdade são 5) traz a história de Arthur Dent, que estava prestes a ter sua casa demolida, e descobre, de uma vez, que seu melhor amigo é um alienígena, e a Terra será explodida em 5 minutos para abrir espaço para a construção de uma estrada intergalática. Sem tempo para processar todas essas informações, ele pega carona clandestinamente em uma nave. Não chega a ser spoiler, porque tudo isso acontece logo nos primeiríssimos minutos do longa. A partir disso, começa o festival de coisas sem noção, e de humor inteligente e mordaz, com diversas críticas ao comportamento humano, no que diz respeito a política, religião, economia, ciência, entre outros, com metáforas, diretas e indiretas.

O que este filme tem de especial? Bom, é um filme de ficção científica top de linha de Hollywood, então, é de se esperar uma trilha sonora digna de nota, uma produção com recursos bem satisfatórios, e efeitos visuais de encher os olhos, de forma a tornar tudo muito convincente. Exceto quando claramente não é essa a intenção (como os Volgans, por exemplo). As atuações também são muito legais. Martin Freeman faz muito bem um personagem completamente perdido que tenta se encontrar ao longo da história, Sam Rockwell sempre faz bem personagens lunáticos, como o fez em The Green Mile e em Moon, fazendo-o muito bem aqui de novo. E claro, Stephen Fry faz um narrador que é quase um personagem.

Porém, é claro que a estrela do filme é o roteiro, e seus bizarros elementos, como o gerador de improvabilidades, a dinamite pan-galática, uma arma para induzir um estado de espírito, e um robô depressivo, pra ficar só na superfície. Não foi atoa que adquiriu o caráter de filme Cult, mas é difícil dizer se os livros teriam o mesmo sucesso sem o filme para alavancá-los. Não sei quanto ao exterior, mas no Brasil o lançamento dos livros, bem mais antigos, se deu com o lançamento do filme. Acho que uma coisa leva a outra, porém isto é irrelevante.

Quando e com quem assistir a este filme? Bom... com as mesmas pessoas que você assistiria Star Wars, Back to the Future, e coisas do Monty Python. E com pessoas que apreciam um senso de humor mais refinado, com piadas inteligentes e críticas que vão bem na ferida. Sem censura etária. Só nunca o recomende aos fãs de Jet Li, e afins. Sacumé...

Ficha técnica

Elenco: Martin Freeman - Arthur Dent
Mos Def - Ford Perfect
Sam Rockwell - Zaphod Beeblebrox
Zooey Deschanel - Trillan
Alan Rickman - Marvin (voz)
Warwick Davis - Marvin (corpo)
Bill Nighy - Slartibartfast
John Malkovich - Humma Kavula
Stephen Fry - Narrador
Helen Mirren - Pensador profundo (voz)
Direção: Garth Jennings
Produção: Gary Barber, Roger Birnbaum, Jonathan Glickman, Nick Goldsmith & Jay Roach
Roteiro: Douglas Adams & Karey Kirkpatrick
Trilha sonora: Joby Talbot
2005 - EUA / Reino Unido - 110 minutos - Aventura / Comédia / Ficção científica

sábado, 6 de abril de 2013

50/50

Despretensiosamente sentado, de boa na lagoa, começa a passar este filme na televisão, e eu começo a assistir. O bom elenco e o bom início me chamaram a atenção, e, tava atoa mesmo, terminei de ver. Grata surpresa.

Sobre o roteiro: Um cara descobre que tem um raro tipo de câncer, cujas chances de recuperação são de 50%, o que dá o título do filme. Seu melhor amigo, sua mãe e sua terapeuta tentam garantir o bem-estar dele, diante de tamanha adversidade. Mas apesar da gravidade do tema, o filme é, na medida do possível, uma comédia. Quer dizer, uma comédia dramática, por assim dizer. A obra é uma viagem pela revolução que esta notícia causa nas pessoas, e as coloca numa metafórica montanha-russa de sentimentos e comportamentos.

O que este filme tem de especial? Acho que o primeiro mérito do filme é tocar num tema muito delicado, e fazer uma comédia em cima disso. Existem vários e vários bons filmes com um tema muito parecido, mas sempre focando no drama e na tragédia pessoal que essa lamentável doença causa, e fazer o público dar risada dessa situação é um grande desafio. E, embora não seja um filme pra dar gargalhadas escandalosas, consegue divertir o espectador. Vejo nisso um grande serviço prestado a eventuais espectadores portadores de tal enfermidade, que podem se identificar com as situações representadas neste roteiro.

O bom elenco, com excelentes atuações (especialmente se considerarmos que é um filme despretensioso, sem o foco de um blockbuster), é outro grande destaque. Particularmente, a atuação do protagonista Joseph Gordon-Levitt e de Anna Kendrick, se destacam ainda mais. Mais méritos para a segunda, na minha opinião, pois o personagem de Gordon-Levitt já favorece uma boa atuação. O dela não, e ela o torna mais interessante do que se esperaria. Seth Rogen, que também produziu o filme, tem mais uma atuação que me lembra muito todas as suas outras atuações que já assisti.

Fora isso, elementos técnicos que não saltam aos olhos. Em geral, filmes do gênero são focados muito mais nas atuações e no roteiro, deixando a "moldura" mais simples. E não estamos diante de uma exceção.

Quando e com quem assistir a este filme? Pode ser uma boa assistir ou recomendar este filme para pessoas que tem parentes, ou mesmo são pessoas com este diagnóstico. Porém, um amigo cego me disse uma vez, anos atrás, que muitos cegos não gostam do Geraldo Magella (o popular "ceguinho") porque ele passa a impressão de que todo cego é bem-humorado, quando a realidade é bem diferente. Vários deficientes visuais são muito deprimidos e amargos por suas condições. E talvez caiba um paralelo neste caso. Aliado a isso, tem sempre a turma do "politicamente correto" que acha que tem temas dos quais não se deve fazer piada. Mas fora estas observações (e também uma ou outra cena onde pode-se interpretar uma apologia à maconha), é um filme de tema pesado, mas com cenas leves.

Ficha técnica

Elenco: Joseph Gordon-Levitt - Adam
Seth Rogen - Kyle
Anna Kendrick - Katherine
Bryce Dallas Howard - Rachel
Anjelica Houston - Diane
Philip Baker Hall - Alan
Direção: Jonathan Levine
Produção: Seth Rogen
Roteiro: Will Reiser
Trilha sonora: Michael Giacchino
2011 - EUA - 100 minutos - Comédia / Drama

terça-feira, 5 de março de 2013

Ghostbusters (Os Caça-Fantasmas)

Sem dúvida, e com méritos, um dos maiores clássicos da história do cinema. Um dos mais marcantes filmes de comédia, e um dos mais marcantes filmes de ficção científica. Além de um dos ícones da cultura Pop dos anos 80.

Sobre o roteiro: Tá, é uma história boba, mas... em quase todas as principais comédias boas, a história também é boba. Mas o roteiro é o de menos. O destaque vai mesmo é para as situações que o roteiro possibilita, e para as atuações e os efeitos especiais, então, nada de errado em criar uma agência especializada em capturar fantasmas que assombram New York. Nada errado em um monstro gigante feito de marshmallow, e nada errado em um monte de papo técnico pseudo-científico para sustentar o roteiro. Todos perdoamos. Na verdade, ignoramos.

O que este filme tem de especial? É uma obra de 1984, então, infelizmente não posso ser preciso em relação ao impacto que este filme causou na época. E também é difícil fazer comparações com um dos principais chamarizes do filme: Efeitos especiais. Vendo o filme hoje, os efeitos parecem extremamente amadores e toscos, em sua maioria, mesmo usando tudo de ponta que a tecnologia da época possibilitava. Para simples efeito de comparação, Back to the Future (outro filme que carrega as mesmas insígnias descritas no primeiro parágrafo deste texto) é apenas alguns meses mais velho do que Ghostbusters, mas tem efeitos especiais que parecem 20 anos mais recentes. Tudo bem, teve a produção de Steven Spielberg, mas ainda assim... Enfim, parece aqui que estou falando mal dos efeitos que marcaram uma geração inteira como algo mágico, mas não é essa a minha intenção. Apenas pretendo enfatizar que, como não o assisti com aquela coisa de surpresa na época, e sim, depois de ter assistido The Matrix, Avatar, Terminator 2, entre outros revolucionários no assunto, fui condicionado a ser exigente quanto a isso. Mas reconheço a questão do mérito baseado na época.

Outro grande destaque do filme vai para sua música tema, fruto de um plágio de Ray Parker Jr, de uma música do Huey Lewis, mas que resultou numa obra muito melhor do que a original, e é um dos grandes destaques e símbolos do filme e de toda uma geração. Fora isso, as atuações muito boas do já muito bom elenco, estrelado por Bill Murray, Dan Aykroyd, Sigourney Weaver e Rick Moranis.

Quando e com quem assistir a este filme? É uma comédia leve, sem insinuações pesadas, cenas fortes, nem nada do tipo. Como é do feitio de Iva Reitman, é uma comédia leve pra ver com a família toda, sem contra-indicações, e sem grandes expectativas. Foi um grande clássico de seu tempo, mas provavelmente o público jovem não vai ter essa reverência toda pra assisti-lo.

Ficha técnica

Elenco: Bill Murray - Doc. Peter Venkman
Dan Aykroyd - Doc. Raymond Stantz
Harold Ramis - Doc. Egon Spengler
Ernie Hudson - Winston Zeddemore
Sigourney Weaver - Dana Barrett
Rick Moranis - Louis Tully
Annie Potts - Janine Melnitz
Larry King - Larry King
Direção: Ivan Reitman
Produção: Ivan Reitman
Roteiro: Dan Aykroyd & Harold Ramis
Trilha Sonora: Elmer Bernstein
1984 - EUA - 107 minutos - Comédia / Ficção Científica

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

True Grit (Bravura Indômita) (2010)

Cada dia mais eu acho que vou gostar muito de filmes do gênero Western, porque ainda não me lembro de ter visto nenhum filme do gênero do qual eu me arrependa. Foram pouquíssimos, mas todos muito bons. Confesso não ter muita paciência para o ritmo dos Western Spagghetti's, mas as refilmagens e filmes apenas baseados no estilo de época, mas com a cara Hollywoodiana, costumam me agradar muito, como foi o caso de 3:10 to Yuma, No country for old man, Winter's Bone, e True Grit.

Sobre o roteiro: Uma garota de 14 anos, bem "durona", aparece na cidade querendo contratar um caçador de recompensas que tope caçar o assassino do pai dela. Não encontra Han Solo, e se contenta com Rooster Cogburn, o mais impiedoso disponível. Mas ela não é a única na captura do bandido. Há também um inexperiente, mas obstinado Texas Ranger nessa busca há vários meses, e que também quer capturá-lo. Como é característico do gênero, a premissa pouco importa, legal é a caçada, e o texto.

O que este filme tem de especial? O roteiro é até bom, mas não é o mais legal. Apesar de não ter levado nenhuma estatueta, este filme, uma readaptação do original de 1969, estrelado por John Wayne, recebeu 10 indicações para o Oscar. As atuações, de modo geral, são muito boas, merecendo destaque mesmo contando com um elenco já qualificado. Aquele resto todo de cenário, figurino, maquiagem, fotografia, e etc, também é muito bom, mas nada rouba a cena particularmente, tudo está bom por igual. O que realmente chama a atenção são algumas cenas do filme. Assim como em Inglourious Basterds, algumas cenas ficarão na memória pela tensão e direcionamento que as coisas tomam. Difícil explicar.
Ah, e na trilha sonora, mais um bom trabalho de Carter Burwell.

Quando e com quem assistir a este filme? Os irmãos Coen são conhecidos por várias características comuns em seus filmes. Uma delas é a violência acentuada. Não chegam a serem exagerados como Tarantino ou Robert Rodriguez, mas ainda assim, uma ênfase acima do padrão nas cenas mais sanguinárias. Cabe o alerta pra quem não gosta. Fora isso, uma narrativa simples que não exige muito compromisso, mas é uma obra que merece atenção.

Ficha técnica

Elenco: Jeff Bridges - "Rooster" Cogburn
Hailee Steinfeld - Mattie Ross
Matt Damon - Texas Ranger LaBoeuf
Josh Brolin - Tom Chaney
Barry Pepper - "Lucky" Ned Pepper
Direção: Joel Coen & Ethan Coen
Produção: Joel Coen, Ethan Coen, Scott Rudin & Steven Spielberg
Roteiro: Joel & Ethan Coen, adaptados da obra de Charles Portis
Trilha Sonora: Carter Burwell
2010 - EUA - 110 minutos - Western

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Blindness (Ensaio sobre a cegueira)

Finalmente um filme baseado em um livro - que eu li o livro. Diga-se, o melhor livro que já li até hoje.Não vou ficar dizendo o quanto considero José Saramago um dos mais brilhantes pensadores da história recente, mas tentarei focar só no filme, embora vez ou outra caibam algumas comparações entre ambas obras.

Sobre o roteiro: A adaptação foi ótima. quase tudo que tem no livro está no filme, e vice-versa. Fica apenas uma pequena ressalva: O livro tem um aspecto mais escatológico em alguns momentos, que na obra de Fernando Meirelles foram suavizados, para melhor se adequarem ao público, e, possivelmente, as classificações etárias. Não que seja ruim fazer isso, achei louvável. Por exemplo, ler sobre um piso todo sujo de dejetos humanos já nos dá uma sensação ruim, mas não precisamos literalmente visualizar isso para imaginar o que se passa. Mas voltando ao roteiro, a história é basicamente o seguinte: Surge uma epidemia de cegueira, contagiosa, que ninguém descobriu como surgiu. O governo decide colocar os novos cegos em quarentena. Neste isolamento, os personagens voltam a se comportar de forma primitiva, e a história começa a explorar várias e interessantíssimas faces do comportamento humano, e como este funciona colocado frente ao absurdo. Reflexões filosóficas é o que não faltam.

O que este filme tem de especial? Definitivamente, o roteiro. É um daqueles filmes perturbadores que nos deixam semanas pensando sobre ele, e suas idéias levantadas. Não é um roteiro conclusivo, o espectador é quem tira suas próprias conclusões sobre o que a obra mostra e aborda. Uma característica interessantíssima comum ao filme e ao livro, é que o nome de nenhum personagem é citado. As pessoas são conhecidas simplesmente pelas suas características, que são o que de fato têm importância para eles mesmos. Mas enfim, é difícil atribuir méritos ao filme, e não ao livro, porém, cabe aqui o mérito as grandes atuações, de todo o elenco, destes difíceis personagens. E definitivamente, é uma produção que realmente está à altura da obra original. O próprio autor do livro que sempre se recusou a permitir adaptações cinematográficas de seus livros, chorou na exibição no cinema, dizendo que o filme mostra exatamente o que ele queria mostrar com seu texto.

Quando e com quem assistir a este filme? É um filme muito pesado e perturbador, logo, digo que não é exatamente um filme de família, e não é para todos os gostos, embora eu o considere imperdível, e um dos meus favoritos. Assista com tempo e atenção, para poder pegar as idéias.

Ficha técnica

Elenco: Julianne Moore - Mulher do médico
Mark Ruffalo - Médico
Danny Glover - Homem de tapa-olho
Gael García Bernal - Rei da ala 3
Maury Chaykin - Contador
Alice Braga - Mulher de óculos escuros
Don McKellar - Ladrão
Mitchell Nye - Menino
Direção: Fernando Meirelles
Produção: Niv Fichman, Andrea Barata Ribeiro & Sonoko Sakai
Roteiro: Don McKellar, baseado na obra de José Saramago
Trilha sonora: Marco Antônio Guimarães
2008 - Brasil / Canadá / Japão - 121 minutos - Drama