sábado, 29 de dezembro de 2012

The Hobbit: An unexpected journey (O Hobbit: Uma jornada inesperada)

Nunca li nada do Tolkien. Nem posso ser considerado como fã de sua obra. Admirador sim. Gostei muito dos filmes da triologia Lord of the Rings, mesmo sabendo do maior clichê da história do cinema (que o livro é melhor, e blablablá), gosto dessas coisas medievais, e sei que não se tratam de alguns dos maiores clássicos da literatura mundial por acaso, e nem é desmerecida toda a expectativa que se coloca num filme que se propõe a colocar na tela a obra de um autor que (segundo muitos me disseram, mas nunca pude comprovar) deixa tudo tão descrito nos seus textos que fica até difícil fazer algo que saia do esperado sem que seja feita uma alteração deliberada. Nesse sentido, na atual empreitada, o desafio é maior, visto que se trata de uma obra bem mais simples e menos detalhista em comparação a LotR.

Sobre o roteiro: Vou deixar claro de novo: Não li a obra original. E preferi nem saber como é a história do filme, pra não ter conhecimento spoiler pra assistir. Portanto, embora não tenha sido meu objetivo, essa é uma resenha com muita imparcialidade, e sem comparações com o original, logo, uma análise do filme como um filme, não como adaptação.

Assim sendo, achei uma boa história, sobre a qual há pouco ou nada a dizer, visto que o que se há para comentar sobre a mesma seria mais justo que se dissesse sobre a obra de Tolkien, não sobre a de Peter Jackson. Porém, para quem for assistir nas mesmas condições que eu, sem muitas expectativas, gostando do tema, mas sem saber o que virá, creio que irá gostar. Devo dizer que muito pouco do roteiro ficou na minha memória, deixando mais detalhes como cenas específicas (especialmente a trollagem do Gandalf sobre Bilbo), diálogos marcantes, efeitos especiais e fotografia do que uma linha de acontecimentos. Nessa primeira parte do que será ainda uma nova triologia (o que não posso deixar de achar uma grandessíssima jogada de marketing e de grana colocada muito acima do compromisso artístico, ou equivalente), os objetivos dos protagonistas não estão muito claros, de forma que, pra quem não conhece a obra, fica difícil prever os acontecimentos dos próximos filmes. O que é, de certa forma, um ponto positivo, penso eu. Mas sei que saí do cinema com a sensação de que era um bom filme, sem nenhum daqueles problemas de roteiro que te fazem ficar pensando "mas porquê diabos fizeram x quando poderiam facilmente fazer y e resolver todo o problema?", ou coisa do gênero.

O que este filme tem de especial? Efeitos! Efeitos especiais! Tá, nem é só isso. Um grande elenco, embora poucas figuras realmente estrelas de Hollywood, com destaque óbvio para Ian McKellen, Hugo Weaving, Christopher Lee, Andy Serkis e, menos óbvio, mas igualmente destacado, para o protagonista Martin Freeman (num papel muito parecido com o que desempenha em The Hitchhiker's guide to the galaxy), e para Richard Armitage. Trilha sonora excelente, já esperada, fotografia acima da já alta expectativa, e toda aquela pompa de produção multimilionária, sem decepções, ao menos para mim. Sobrou apenas um fator que não posso opinar: Tem também uma versão dele em 3D, com 48fps. Ouvi dizerem que o número elevado de frames por segundo realmente é um diferencial (embora tenha feito algumas pessoas passarem mal), mas o 3D é mais um caso de "Legendas 3D" na maior parte do filme, como já é tradicional. Enfim, esse último detalhe é confessamente eco de opinião.

Quando e com quem assistir a este filme? Com fãs de J. R. R. Tolkien, é claro! Além disso, todos os amantes de RPG, coisas medievais, e demais fantasias relacionadas provavelmente se interessarão. Crianças também podem gostar bastante, embora haja alguma violência aqui e ali em níveis que socialmente são considerados inadequados para crianças, mas pessoalmente não vejo problema nisso. Mas preparem-se para mais um filme épico, de duração épica.

Ficha técnica

Elenco: Martin Freeman - Bilbo Baggins
Ian McKellen - Gandalf
Richard Armitage - Thorin
Andy Serkis - Gollum / Sméagol
Christopher Lee - Saruman
Cate Blanchett - Galadriel
Hugo Weaving - Elrond
Ian Holm - Bilbo Baggins (velho)
Elijah Wood - Frodo Baggins
Direção: Peter Jackson
Produção: Peter Jackson & Fran Walsh
Roteiro: Fran Walsh, Philippa Boyens, Guilhermo del Toro & Peter Jackson (Baseado na obra de J. R. R. Tolkien
Trilha sonora: Howard Shore
2012 - Nova Zelândia / EUA - 169 minutos - Aventura / Fantasia

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

The Prestige (O grande truque)

Christopher Nolan está cada vez mais consolidado como um dos grandes diretores dos últimos tempos. Naturalmente seus trabalhos mais famosos são os da franquia Batman, mas não são os seus melhores. Também é o responsável mor por obras excelentes como Memento, Inception e, naturalmente, The Prestige.

Sobre o roteiro: Pessoalmente, já me sinto naturalmente atraído pelo tema "ilusionismo". O que temos aqui é uma rivalidade entre dois antigos colegas de profissão, que vivem em função de superar um ao outro, depois de uma tragédia ocorrida, de responsabilidade de um deles, cria a inimizade. São os melhores mágicos de seu tempo, sempre em busca de novos e mais impressionantes números, e de como sabotar e prejudicar seus rivais. O filme ainda me chama mais a atenção por envolver uma das mais relevantes personalidades do universo científico, Nikola Tesla (bem carregado de licença poética, diga-se), interpretado pelo eterno camaleão David Bowie.

Achei muito legal a maioria dos truques apresentados, assim como a forma de desmascará-los. A forma como os espetáculos são montados, seus bastidores, e afins, foram particularmente fascinantes para mim, mas estes são apenas elementos secundários para desenrolar uma brilhante trama repleta de "reviravoltas" (na falta de um termo melhor), surpresas e revelações. E não custa citar que o filme se pauta pela eterna vingança de ambos, que nunca parecem estar "quites". E vinganças, a despeito do que pense Seu Madruga, quase sempre dá ótimas histórias.

O que este filme tem de especial? Ilusionismo é sempre uma coisa especial. É impossível ver este filme e não se lembrar do também excelente The Illusionist, que compartilha atmosfera muito parecida. Além disso, temos efeitos especiais que amparam o espetáculo de forma muito convincente e com muita qualidade, especialmente no que se refere aos experimentos (muito exagerados, para melhor servirem ao roteiro) de Tesla. Atuações brilhantes de Christian Bale e Hugh Jackman, que simplesmente nem de longe lembram seus personagens mais famosos e badalados (Batman e Wolverine, respectivamente). Também se vale de um elemento muito apreciado por este que vos escreve: Descontinuidade cronológica. A história se alterna o tempo todo entre passado, presente e futuro. E mais uma coisa interessante: Não temos nem mocinho nem bandido. Nunca se sabe para quem "torcer".

Mas é mais um daqueles filmes que realmente nos prendem pelo roteiro, coerente, bem montado, interessante, envolvente e surpreendente. Daqueles pra assistir e conversar sobre o filme depois do fim.

Quando e com quem assistir a este filme? Apesar de muita mágica, não é um filme que se possa recomendar para crianças, por ter uma ou outra cena forte demais. Fora isso, não me lembro de outras possíveis contra-indicações. Ah, aqueles chatos que gostam de filmes com ação o tempo todo e que tem dificuldades para entender um roteiro complexo, e ficam perguntando tudo o tempo todo também estão fora do público-alvo desta obra. Ou seja, é um filme que requer alguma atenção nos detalhes para ser melhor apreciado.

Ficha técnica

Elenco: Hugh Jackman - Robert Angier
Christian Bale - Alfred Borden
Michael Caine - John Cutter
Rebecca Hall - Sarah Borden
Scarlett Johansson - Olivia Wescombe
David Bowie - Nikola Tesla
Andy Serkis - Sr. Alley
Direção: Christopher Nolan
Produção: Christopher Nolan, Emma Thomas & Aaron Ryder
Roteiro: Jonathan Nolan & Christopher Nolan, baseado no livro de Christopher Priest
Trilha Sonora: David Julyan
2006 - EUA - 130 minutos - Drama / Suspense

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Edward Scissorhands (Edward - Mãos de tesoura)


Provavelmente, o melhor filme já feito sobre preconceito. Provavelmente, o melhor filme de Tim Burton. Provavelmente, o melhor personagem de Johnny Depp. Provavelmente, a melhor trilha sonora já feita. Provavelmente, um filme que nunca será esquecido.

Sobre o roteiro: Algo que não é novidade nos filmes de Tim e Johnny: o roteiro é imensamente simples, e igualmente absurdo, mas os personagens são bem construídos e complexos, a história é muito bem contada, e a dramaticidade é explorada aos limites. Assim, a história de um homem criado por um velho inventor, que morre antes de concluir sua obra, deixando-o com tesouras no lugar das mãos, e isolado da vida em sociedade, ganha proporções grandiosas ao abordar as relações pessoais. Fofocas, inveja, fanatismo, bullying, medo, rejeição, amor, e o mais clássico e bem apresentado caso de friend zone da ficção, entre outros elementos, tornam o roteiro praticamente secundário. Um roteiro pra nos fazer repensar em como tratamos as pessoas, em como é errado discriminar alguém por ser diferente e especial, e em um monte de coisas.

O que este filme tem de especial? Além de tudo o que já foi mencionado, contamos com a atuação brilhante de boa parte do elenco. Realmente fica difícil definir até onde o mérito é dos atores e até onde são os personagens que são excessivamente bem feitos, com personalidades muito desenvolvidas (característica raríssima de se ver atualmente), e tudo mais. Mas fato é que este foi o filme responsável por lançar de vez ao estrelato a carreira de Johnny Depp, que realmente se revela um genial ator, apesar da pouca idade e quase nenhuma experiência na época. Além disso, a direção é um show à parte, assim como o figurino, os cenários, maquiagem, fotografia, e principalmente, o mais notório trabalho de Danny Elfman na trilha sonora, belíssima e extremamente eficiente. E um texto marcante. Alguns diálogos são realmente inesquecíveis, como a clássica cena do "Não há mais nada para se ver aqui, voltem para suas casas", "Avon chama", "Eu pensei que era churrasco", "Aí ela me levou para os fundos e começou a tirar a roupa", e o dramático "Porque você me pediu", entre outros. Enfim, coisas especiais não faltam neste que foi um dos filmes mais marcantes da infância de quem a viveu nos anos 90. Mistura de romance, comédia, drama e suspense na medida certa.

Quando e com quem assistir a este filme? Com todo mundo. Como eu disse no começo, nunca vi uma alegoria melhor para abordar a questão do preconceito, e como ele está presente nas sociedades. Especialmente recomendado para babacas preconceituosos que o são por motivos especialmente estúpidos, como religião ou auto-afirmação. Coisa TOP.

Ficha técnica

Elenco: Johnny Depp - Edward
Wynona Ryder - Kim Boggs
Diane Wiest - Peg Boggs
Alan Arkin - Bill Boggs
Anthony Michael Hall - Jim
Kathy Baker - Joyce
Vincent Price - Inventor
Direção: Tim Burton
Produção: Tim Burton & Denise Di Novi
Roteiro: Tim Burton & Caroline Thompson
Trilha sonora: Danny Elfman
1990 - EUA - 100 minutos - Drama

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

The Shawshank Redemption (Um sonho de liberdade)

Stephen King. Frank Darabont. Morgan Freeman. Tim Robbins. Tem como dar errado?

Sobre o roteiro: Estou atualmente lendo a série The Dark Tower (A Torre Negra), de Stephen King, e, pela primeira vez, estou tendo contato com um livro dele, e não apenas com uma adaptação. O que tenho a dizer é que, apesar do mais manjado clichê do cinema de que "o livro é bem melhor", a maioria dos filmes baseados em seus livros captam muito bem o estilo de história que este sombrio escritor do Maine quer nos contar. Apesar de se tratar de uma temática completamente diferente, é notável a presença do estilo de King neste filme. Claro, de Darabont como diretor e roteirista também.

The Shawshank Redemption está em 1º lugar na lista do IMDB, com a nota mais alta, já a vários anos. Tá, listas de melhores de qualquer coisa que seja subjetiva não quer dizer nada, e eu não concordo que este seja o melhor filme de todos os tempos. Mas o que quero dizer é que não é nenhuma bizarrice nem obra do acaso que este filme tenha conseguido este feito e mantenha esta marca. É um excelente roteiro, bem coerente e bem montado, verossímil, crítico, intrigante, com todas as melhores características de Stephen King (apesar da ausência do fator sobrenatural), e que explora bem as falhas do sistema judiciário, da administração e do sistema penal (que, apesar de mostrar um exemplo nos EUA, não é muito diferente em qualquer outro lugar do mundo). Uma história emocionante (mas, de fato, não surpreendente), bem contada, e que definitivamente será lembrada por todos os que o assistirem.

O que este filme tem de especial? Primeiramente, o roteiro. Como este assunto já foi abordado, passemos ao elenco. Apesar de contar com apenas um verdadeiro astro de Hollywood, Morgan Freeman, o filme conta com um elenco todo muito bom. Difícil saber se o elenco realmente é muito bom, ou se Frank Darabont sabe como extrair o melhor do pessoal com quem trabalha, já que todos os seus filmes são primorosos. Destaque óbvio para a dupla protagonista, Tim Robbins (que, estranhamente, não emplacou outros grandes sucessos como esse, a exceção de Mystic River, que lhe rendeu um Oscar de melhor ator), e Morgan Freeman. Cenário, fotografia, trilha sonora, e tudo mais, no melhor padrão desse diretor francês. Ah, de novo, a presença discreta de Jeffrey DeMunn, como em todos os outros filmes de Darabont, e em várias adaptações de King.

Quando e com quem assistir este filme? Com o mesmo público que gostou de The Green Mile, que também é fruto da dobradinha King/Darabont. Um filme emocionante, bonito, com algumas cenas pesadas, mas sem apelação, e tudo mais. Uma recomendação especial para a turma do direito, especialmente para o pessoal dos direitos humanos. Quem não viu, veja, é imperdível. Quem já viu, recomendo ver de novo, que sempre vale a pena relembrar.

Ficha técnica

Elenco: Tim Robbins - Andy Dufresne
Morgan Freeman - Ellis "Red" Redding
Bob Gunton - Warren Norton
William Sadler - Heywood
Clancy Brown - Capitão Hadley
James Witmore - Brooks Hatlen
Jeffrey DeMunn - Promotor de justiça
Direção: Frank Darabont
Produção: Niki Marvin
Roteiro: Stephen King (autor do livro) & Frank Darabont
Trilha Sonora: Thomas Newman
1994 - EUA - 142 minutos - Drama

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Finding Nemo (Procurando Nemo)

Nemo?! Que filme legal! Possivelmente o filme que eu assisti mais vezes na minha vida (quando trabalhava numa locadora, esse filme era lançamento, aí era colocar no DVD, esperar acabar e dar play de novo), então segue a resenha.

Sobre o roteiro: A história de um cara que teve sua mulher e filhos assassinados por um psicopata, tendo sobrevivido apenas um deles com deficiência física. Porém, este foi sequestrado, e ele sai desesperadamente em busca de seu único filho, contando com a ajuda de uma garota deficiente mental. Apresentado assim, fica mais dramático, né?!
Agora falando sério. Mais uma vez, a Pixar fez uma daquelas animações que divertem crianças e adultos praticamente na mesma proporção. Humor leve, às vezes flertando com humor negro (Apesar de que, no fundo, todo humor é humor negro), mas sem ser polêmico. A mesma boa e velha fórmula: Protagonistas felizes, de repente algo acontece, e serve de suporte para o restante do filme, que terminará com um inevitável final feliz e uma lição de moral. Ser manjado não é desculpa para ser ruim, e definitivamente, não o é.

O que este filme tem de especial? O padrão de qualidade da Pixar ao trabalhar com computação gráfica já atingiu um nível tão alto que, de Monsters, Inc pra cá, considero impossível que melhore. Mas é claro que, assim como um video game, gráfico não é o objetivo, mas sim o meio para levar a diversão, o filme não pára por aí. O roteiro é envolvente, alguns diálogos simplesmente grudam na cabeça pra sempre, e tem a característica única de fazer com que praticamente todos os personagens sejam cativantes e marcantes, com personalidades distintas e bem definidas, o que garante muito mais identificação e carisma com o público. Ah, no áudio original, tem alguns astros dublando alguns dos coadjuvantes. Confira na ficha técnica.

Quando e com quem assistir a este filme? Com a família toda, como qualquer outro filme Disney, Ok, nem todo filme da Disney é verdadeiramente indicado pra família toda, mas este é.

Ficha técnica

Elenco (dubladores): Marlim - Albert Brooks
Dory - Ellen DeGeneres
Nemo - Alexander Gould
Gill - Willem Dafoe
Nigel - Geoffrey Rush
Anchor - Eric Bana
Direção: Andrew Stanton
Produção: Graham Walters
Roteiro: Andrew Stanton, Bob Peterson & David Reynolds
Trilha Sonora: Thomas Newman
2003 - EUA - 100 minutos - Animação / Comédia

terça-feira, 31 de julho de 2012

Taken (Busca Implacável)

Um filme pra quem gosta de ficar tenso com o roteiro. Muito tenso. Muito, muito tenso.

Sobre o roteiro: Um ex-agente do governo, muito habilidoso e competente, tem sua filha sequestrada, enquanto ela estava passeando por Paris. E então, ele vai atrás dela. O roteiro em si é simples e objetivo.

O que este filme tem de especial? Como ele vai atrás da filha. E o que ele faz pra tentar encontrá-la. Alguém aí assistiu Payback, com Mel Gibson? Até então, o personagem dele neste filme, o Porter, era meu parâmetro pra um cara durão. Mas a partir de Taken, Bryan Mills passou a ser meu sinônimo pra isso. Ninguém deveria mexer com a filha de alguém que é ao mesmo tempo Qui-Gon Jinn, Zeus e Ra's Al Ghul.
As cenas de ação são primorosas, e a inteligência do personagem para suas estratégias e métodos são daquele tipo que te faz ter vontade de aplaudir o filme. Sim, é possível fazer um filme de ação ser um filme inteligente. O fato de quase ninguém o fazer não nega essa possibilidade.
Para além disso, a trilha sonora atua muito bem pra manter a tensão, que dura o filme quase todo, sem descanso. As câmeras também reforçam isso, mas confesso que em alguns momentos o excesso de cortes deixa a gente muito mais confuso e perdido na ação do que creio ser a intenção... mas nada que comprometa as cenas ou o entendimento. Apenas algo que me deixa um pouco atordoado às vezes, mas que são comuns em filmes do gênero.
E as atuações de Liam Neeson e Famke Janssen são ótimas. Esta última faz uma personagem realmente odiável...

Quando e com quem ver esse filme? Com pessoas que tenham nervos de aço. Deve ser um filme particularmente interessante pra quem tem filhos. Ou pra quem é um filho que acha que o mundo é só diversão. E pra pessoas podres de ricas, que acham que dinheiro é tudo. Ou pra quem simplesmente aprecia o gênero. É um filme que veio pra virar clássico.

Ficha técnica

Elenco: Liam Neeson - Bryan Mills
Famke Janssen - Lenore
Maggie Grace - Kim Mills
Xander Berkeley - Stuart
Direção: Pierre Morel
Produção: Luc Besson
Roteiro: Luc Besson e Robert Mark Kamen
Triliha sonora: Nathaniel Mechaly
2008 - França - 93 minutos - Ação / Suspense

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Willy Wonka and the Chocolate Factory (A Fantástica Fábrica de Chocolate) (1971)

Definitivamente, um filme que marcou uma geração. Ou várias. Em grande parte, graças ao "Cinema em Casa", do SBT, que reprisava este filme incessantemente. Re-assistindo a esta obra depois de adulto, e depois de 41 anos de seu lançamento, Há de se reconhecer que o filme é carregado de lugares comuns, e de lições de moral sacadíssimas, mas que ainda continua tendo muito valor educativo para crianças. Falo isso porque o assisti com crianças, e isto foi comprovado. 

Sobre o roteiro: O mote do longa é simples, e quase todo mundo conhece. Há uma fábrica de doces mundialmente famosa, mas que, para acabar com os atos de espionagem que levaram a fábrica à ruína, seu proprietário decide que ninguém mais entra ou sai da fábrica, que fica completamente fechada por 3 anos. Porém, quando da sua reabertura, seus novos produtos são revolucionários e deliciosos, mas suas receitas são o mistério mais bem guardado do mundo. Um dia, mestre Wonka decide fazer um concurso: 5 bilhetes dourados, escondidos em 5 barras Wonka, que podem estar em qualquer lugar do mundo, darão a quem os encontrar o direito de visitar a fábrica e de ter um suprimento de chocolate para o resto da vida. Começa então uma corrida mundial para encontrar os bilhetes, que altera a rotina de todo o planeta. Paralelamente, acompanhamos a história de Charlie Bucket, um menino muito pobre que vive com a mãe e seus inválidos avós. Charlie é o estereótipo do bom menino, que entrega jornais para ajudar na renda familiar, obedece sua mãe, é bem educado e tudo mais, mas a possibilidade de realizar o sonho de conhecer a fábrica mexe muito com sua personalidade, e o garoto começa a sofrer com a ansiedade da possibilidade, por mais remota que possa parecer, de encontrar o bilhete.

A partir daí, um a um dos bilhetes vão sendo encontrados ao redor do globo, e os 5 portadores do bilhete entram na fábrica. Cada vencedor é uma criança, representando um estereótipo de criança problemática diferente. Entre elas, é claro, Charlie. Enquanto as crianças, acompanhadas cada uma por um familiar responsável, vão conhecendo as instalações do Sr. Wonka, cada uma delas se mete em um problema diferente, normalmente com um desfecho comicamente trágico, que o enigmático dono da fábrica providencia sempre uma solução com uma frieza de quem simplesmente não se importa com a gravidade das situações nas quais as crianças se envolvem. Para tal, sempre aciona os simpáticos Oompa-Loompas, pequeninos humanóides de aspecto engraçado que trabalham na fábrica, e que a cada "episódio" de cada criança, cantam uma canção trazendo o mesmo leitmotiv, e uma lição de moral que se aplica ao motivo das crianças terem agido da forma que agiram, e qual é a consequência de se comportar assim. Enfim, o roteiro é totalmente voltado para ensinar valores as crianças.

O que este filme tem de especial? A característica que mais salta aos olhos é o uso e abuso do humor non-sense, especialmente depois do começo da expedição na fábrica. Lá dentro, tudo é inusitado, desde os Oompa-Loompas as invenções de coisas impossíveis que existem lá dentro. Além disso, a construção dos personagens é primorosa, algo raro de se ver nos filmes mais recentes. Até hoje poucos personagens na história do cinema conseguiram despertar tando ódio dos espectadores quanto a irritante Veruca Salt, que quer que seu pai lhe satisfaça imediatamente todos os seus mais insignificantes caprichos. Além dela e de Charlie, vemos um garoto viciado em televisão, um viciado em comida, e uma viciada em chicletes. Todos com atuações excelentes, com destaque óbvio de Gene Wilder, que tem neste filme seu papel mais reconhecido, e de Julie Dawn Cole, de quem nunca mais se ouviu falar, mas que mandou muito bem como Veruca.

Como o filme é um musical, pessoalmente acho irritante essa coisa de substituir diálogos por músicas, especialmente considerando-se que assisti a versão dublada, e traduções ou versões raramente captam bem os objetivos do compositor, mas neste filme isto foi bem feito. O que por sí só é um mérito. Ah, o texto também é ótimo.

Quando e com quem assistir a este filme? É filme pra ver com a família toda, mas é um filme infantil, então, não espere lá muita coisa. A menos que queira assistir com um olhar de quem quer compreender o motivo do filme ter sido tão marcante, ou descobrir de onde veio o meme do "Wonka irônico". Mas é um belo filme, sob qualquer aspecto ou critério. Como eu disse antes, as lições de moral são piegas e batidas, mas ainda se revelam atuais e eficientes para quem ainda não se enjoou de vê-las.

Ficha técnica

Elenco: Gene Wilder - Willy Wonka
Peter Ostrum - Charlie Bucket
Jack Albertson - Vovô Bucket
Julie Dawn Cole - Veruca Salt
Denise Nickerson - Violet Beauregarde
Paris Themmen - Mike Teevee
Michael Bollner - Augustus Gloop
Direção: Mel Stuart
Produção: David L. Wolper
Roteiro: Roald Dahl (autor do livro)
Trilha sonora: Anthony Lewley & Leslie Bricusse
1971 - EUA - 100 minutos - Infantil / Musical

sexta-feira, 11 de maio de 2012

My Cousin Vinny (Meu Primo Vinny)

Como anarquista que sou, não gosto de advogados, menos ainda de juízes, e ainda menos do sistema legal que rege nossa sociedade. Mas reconheço que é muito raro um filme ambientado num tribunal ser ruim. Histórias como as de John Grisham costumam trazer reflexões interessantes, independente do que nós consideramos como valores pessoais. My Cousin Vinny está longe de ser tão pretensioso quanto Grisham, mas não deixa de ser um filme interessantíssimo, e muito divertido. Uma comédia fácil sobre um tema sério, mas que usa de um humor inteligente e recursos simples e eficientes. E Joe Pesci.

Sobre o roteiro: Dois amigos se envolvem embaraçosamente num homicídio, e são presos, vítimas de um grande mal-entendido. Para sua defesa, um deles chama seu primo Vinny. O que ele não sabe é que seu defensor não é exatamente lá muito experiente...
Enfim, através de métodos e comportamentos pouco ortodoxos, o filme se desenrola sobre o julgamento. É um filme de comédia, então o roteiro não pode ser muito revelado.

O que este filme tem de especial? Joe Pesci, cara. Tipo, Joe "fucking" Pesci! Como já dizia o grande George Carlin, ele é o cara que resolve o problema. Mas falando sério, é lamentável que este baixinho tenha feito tão poucos filmes nos últimos 20 anos, porque a atuação dele é algo ímpar nos seus filmes. É um daqueles atores que são incomparáveis. Não por ser melhores ou piores que os demais, mas por serem únicos mesmo. Além disso, o filme conta com um ótimo elenco, com Ralph Macchio (o eterno Karate Kid), Marisa Tomei (espetacular a cena dela como testemunha no tribunal), Freddie Gwyne (como o ultraconservador juiz) e Mitchell Whitfield. Fora isso, a atmosfera é de um típico filme de "Sessão da Tarde", mas dos bons tempos.

Quando e com quem assistir a este filme? Uma comédia leve e despretensiosa. Não tem cenas fortes e apenas um ou outro palavrão aqui e ali, que normalmente nem aparecem nas legendas ou na dublagem. Especialmente recomendado pra quem lida profissionalmente ou academicamente com o Direito. E dá pra assistir com a família toda numa boa.

Ficha técnica

Elenco: Joe Pesci - Vincent "Vinny" Gambini
Marisa Tomei - Mona Lisa Vito
Ralph Macchio - Bill Gambini
Mitchel Whitfield - Stan Rothenstein
Freddie Gwyne - Juiz Chamberlein Haller
Lane Smith - Jim Trotter III
Direção: Jonathan Lynn
Produção: Paul Schiff
Roteiro: Dale Launer
Trilha Sonora: Randy Edelman
1992 - EUA - 120 minutos - Comédia

segunda-feira, 30 de abril de 2012

The Hunger Games (Jogos Vorazes)

The Hunger Games, na boa, Y U existe?

Sobre o roteiro: É a pior coisa do filme. Não que seja a única coisa ruim. Mas o roteiro é de longe a pior coisa do filme.

Primeiramente, a temática passa longe de ser original. A idéia do filme é simplesmente pegar um monte de crianças e adolescentes dentro de uma arena com a ordem de se matarem. No final, só pode haver um vencedor, cujo prêmio principal é continuar vivo. Alguém aí lembrou de Highlander? Então perdoem-me citar este clássico perto desse filme revoltante, mas é um exemplo de onde uma idéia levemente semelhante já foi usada. De forma muito mais semelhante, temos um outro filme bem ruim, The Running Man, estrelado pelo "ótimo" Arnold Schwarzennegger, baseado no livro do venerado (pelo menos por mim) Stephen King. Neste, a trama já não é genial, mas pelo menos aborda uma série de questões interessantes. O diretor (ainda falando de The Running Man) erra feio ao focar nas cenas de ação quando tinha um roteiro que abria caminho para muita coisa inteligente, e passa a usar recursos que hoje causam vergonha alheia, mas que serviram para fazer um produto que agradasse ao público de sua época, 25 anos atrás. Depois disso, vieram vários outros filmes com um roteiro principal bem semelhante a essa idéia. Até no antigo desenho animado X-Men (que passava nas manhãs globais) uma pequena saga envolveu a mesma premissa. Então, o problema não está em reciclar algo que já não era bom quando era original. Está mesmo é no seguinte: Este roteiro é sacado, então ele precisa servir como um meio para explorar uma outra linha de pensamento. Mas o filme não faz isso, e torna o que era para ser um meio em um fim.

Já vou avisando que vou contar o filme inteiro, mas o maior spoiler que posso dar do filme é: Não assistam este filme de jeito nenhum! Definitivamente não vale o custo da energia elétrica para ser exibido. Mas vamos lá:

Depois de uma guerra civil, 12 distritos de uma nação (que o filme não esclarece em momento algum qual é) perdem, e como forma de subjugar, a Capital decide punir os distritos com um "jogo", os "Jogos Vorazes". Cada distrito terá um menino e uma menina, entre 12 e 18 anos, sorteados para representá-los nos jogos, onde o objetivo é que eles se degladiem até à morte. E os distritos aceitam. Não tem rebelião, revolução, desobediência civil, nada. Simplesmente acatam a idéia, com um leve ar de chateação, como se fosse um pequeno aumento nas tarifas de ônibus. Parece que ninguém realmente assimila a idéia de que um governo que sistematicamente promove o extermínio bárbaro de 23 jovens cidadãos seus todo ano (e o filme mostra apenas a 74ª edição) como um espetáculo de TV louvável e adorado pela população. Por si só a idéia já é doentia e nojenta, mas o roteiro vai além...

Aí o roteiro não decide se participar do torneio é motivo de apavoramento e desespero total diante da morte certa que só pode ser evitada através do assassinato frio de outras pessoas inocentes na mesma situação, ou se é um orgulho ser um herói que vai vencer esta honrosa (?!) batalha. E cada personagem passa a ser tratado como um novo "Big Brother". Todos viram celebridades, ao mesmo tempo que todos sabem que praticamente todos vão morrer. E o povo é conivente, acha legal, e tudo mais, reforço. Então, nossos heróis, depois de muita enrolação e muita cena ridiculamente clichê, finalmente entra em campo. Depois de várias coisas que todo mundo já sabe que vai acontecer antes de entrar no cinema, que serão abordadas a seguir, o filme simplesmente acaba. Fica o filme inteiro aquela sensação de que "no final eles vão explicar", mas... não. Só acaba. O que não acaba é a vontade de tocar fogo no cinema.

O que este filme tem de especial? O filme tem um roteiro desgraçadamente ruim, mas poderia salvá-lo se ele fosse um meio de explorar outros assuntos. Ao invés disso, a rinha infanto-juvenil é o objetivo do filme. Os temas interessantes que porventura tiveram alguma alusão durante a exibição não tem consistência na abordagem. Por exemplo, aquela coisa de Orwell em 1984, ou da relação de autoridade e autoritarismo, ou da tensão política, do poder da força e da manipulação social, ou um monte de outras coisas realmente interessantes, que poderiam ser exploradas com um roteiro bem melhor, mas já que tem que ser isso aí, que faça algo aproveitável, né?! Nada... E com isso, o filme passa para a condição de irresponsável, pois colocar toda essa situação como aceitável, para milhões de jovens com personalidade e valores em formação, é complicado. Claro, não sou do tipo que acredita que jogar GTA vai fazer mal a personalidade de alguém, mas o que o filme propõe, e da forma que propõe, mostra argumentos que quase legitimam essa prática. Ao invés de provocar repulsa, quase faz o público querer participar dos jogos, ou fazer seus próprios. Um filme leviano e perigoso pelas proporções da produção e alcance.

Mas ainda tem os aspectos técnicos pra terminar de quebrar a bicicleta. Vou só citar algumas cenas e recursos usados, aleatoriamente, porque prefiro não ficar me lembrando destes momentos de tortura intelectual. Começo com os desfiles dos concorrentes, que entram recebidos com honras presidenciais, e não como condenados à morte.  Depois todos são entrevistados como se fosse um concurso de Miss, contando casos, fazendo piadas, no maior clima de bom humor. Aí temos uma revelação sacadíssima que o garoto que foi representar o mesmo distrito da protagonista se diz desafortunado por estar apaixonado pela garota que o acompanhará no "torneio". Cria-se aquele clima de tensão igualmente sacado e "bora pro açougue". Cabe citar aqui que os personagens principais foram orientados por um ex-participante que venceu uma das edições anteriores. Mas parece que só eles receberam dicas, pois só eles parecem agir com alguma inteligência e estratégia, enquanto os demais seguem se exterminando como moscas. Umas matanças aqui, outras ali, tudo muito subentendido, nada mostrado, e algumas coisas começam a testar ainda mais a inteligência do espectador. Antes do torneio, um bando de esfomeados que viveram a vida inteira na miséria parecem estar sem fome num banquete onde podem comer tudo o que quiserem do bom e do melhor. Mas depois de alguns minutos, já estão matando répteis para comer... estranho... E o mais brilhante vem a seguir: Alguns concorrentes simplesmente se unem, e saem matando em equipe. É divertido pensar na possibilidade de pessoas que vão se matar ajudarem umas as outras a matarem outros, para apressar o momento em que fatalmente um terá que trair o outro. E durante a matança, eles saem rindo, tipo "Ah, que bonitinho ela implorando para não matarmos ela... é claro que eu ia matar, eu adoro matar crianças indefesas desesperadas..." e mais uma vez (pela 12ª ou 13ª vez) bateu aquela fortessíssima vontade de ir embora. Mas tá no inferno... tem também a interessante cena em que a protagonista quer provocar a queda de uma caixa de "super-moscas geneticamente alteradas que possuem um veneno que causa dores insuportáveis, alucinações e até a morte". Sim, eles param o filme pra explicar isso. Até faz sentido, porque pra alguém gostar desse filme, tem que ter uma inteligência limitada demais para perceber isso sem explicação, o que as moscas fazem no filme não deve ser suficiente... E tem mais: Criaturas e situações criadas por designers gráficos de improviso que aparecem na arena causando danos reais, o remédio milagroso que cura qualquer ferida e chega de pára-quedas, o cara que fica de guarda, e quando falha na missão de guardar os itens, o líder (?) do grupo (?!?!?) fica bravo e quebra o pescoço dele com a naturalidade de quem está dando uma bronca em um subordinado, entre outras coisas que não permitem uma reação diferente de "oh, god... why?". Sem falar nas maravilhosas cenas como a da lança que é atirada à queima-roupa na personagem principal, que desvia e imediatamente saca uma flecha, prepara o arco, aponta e dispara certeiro, tudo numa fração de segundo. Então, uma menininha fofinha e lindinha é atingida em cheio pela lança, tira ela do peito, vê o sangue, olha pra amiga, e cai no chão. Faz um discurso de "você tem que vencer", deixa rolar uma lágrima, e morre de olhos abertos. Sua nova amiga (?!) então fecha-lhe os olhos e grita de tristeza e desespero, fazendo cara de "agora a coisa ficou séria". Sequência mais clichê e patética, impossível. Nem Stephanie Meyer seria capaz disso. Em algum momento, não lembro da sequência, rola uma cena em que o garoto coadjuvante está ferido e precisando de cuidados especiais, e rola um clima romântico forçado para ganhar audiência, que ofende mais uma vez o bom senso. Enfim, muito, muito, muito lixo que eu nem me lembro ou nem quero mais citar acontece, e depois de uma regra de última hora, onde há a possibilidade de haverem 2 vencedores, desde que sejam do mesmo distrito (adivinha quem são?) ser revogada, a menina "genialmente" tem a idéia de forçar um "Romeu & Julieta" para que a produção intervenha e declare que de fato ambos venceram. Feito isso, o filme acaba. É só isso. Aí uma entrevistinha barata na TV, umas caras frustradas aqui e ali, e acaba. Sem discurso, sem explicação, sem mudanças... ano que vem tem mais, ou coisa parecida. Tenho muito medo do que virá nas continuações dessa coisa hedionda...

Mas vamos aos aspectos técnicos: O elenco tem atores ótimos, bons, razoáveis, ruins e péssimos. Mas o papel de ninguém ajuda. Woody Harrelson vive alternando entre filmes bons e ruins, mas seus filmes não recebem avaliação baseada em sua performance, que é fraca. Nesse filme, seu papel é mais ou menos da importância que lhe é peculiar. Elizabeth Banks tem um papel ridículo além da média do filme, o que torna difícil saber quanto disso é culpa dela. Lenny Kravitz como ator é uma idéia tão ruim quanto sua atuação. Stanley Tucci também fica com um papel ingrato como apresentador de TV do programa, mas demonstra não ser tão mal profissional. Josh Hutcherson não é um bom ator, e sua atuação é péssima. Agora o senhor Donald Sutherland deve estar muito necessitado de dinheiro pra entrar nesse atentado fazendo um dos personagens mais "não seja tão mal construído" que eu já vi. E principalmente, Jennifer Lawrence, Y U foi associar para sempre a sua imagem a esta vergonhosa franquia? Uma excelente atriz, que teve uma brilhantíssima e inesquecível atuação em Winter's Bone (inclusive lhe rendendo uma indicação ao Oscar) e uma tão boa quanto em X-Men First Class. Se queimou feio ao arriscar entrar nessa. Feio.

Quanto a efeitos especiais, trilha sonora, fotografia, e essas coisas todas, pelo menos nisso o filme se sai bem. Mas não adianta ter toda uma preparação e investimento para algo tenebrosamente lamentável. Filme ruim de doer o estômago. Um caminhão de dinheiro investido em produzir o mesmo que já corre pelos esgotos das grandes cidades.

Quando e com quem assistir a esse filme? Quando o Atlético-MG ganhar a Libertadores em cima do Corinthians e o Mundial em cima do Real Madrid de Messi e Romário. Antes que isso aconteça, não veja o filme. Nunca. Nunca mesmo. É o pior filme que já vi. Ouso dizer que conseguiu ser pior que Twilight. Sério.

Ficha técnica

Elenco: Jennifer Lawrence - Katniss Everdeen
Josh Hutcherson - Peeta Mellark
Woody Harrelson - Haymitch Abernaty
Elizabeth Banks - Effie Trinket
Lenny Kravitz - Cinna
Donald Sutherland - Presidente Snow
Stanley Tucci - Caesar Flickerman
Wes Bentley - Seneca Crane
Direção: Gary Ross
Produção: Jon Kilik, Nina Jacobson & Suzanne Collins
Roteiro: Suzanne Collins (autora do livro), Billy Ray & Gary Ross
Trilha sonora: James Newton Howard
2012 - EUA - 142 minutos - Aventura

terça-feira, 20 de março de 2012

Season of the Witch (Caça às bruxas)

Normalmente Nicholas Cage estrela bons filmes. Mas já mencionei aqui que ele costuma alternar entre ótimos e péssimos filmes. Este aqui eu vou encaminhar para a lista "menos nobre" por assim dizer. Não é uma porcaria total, mas passa longe de corresponder as expectativas, e não merece ser assistido. Por isso gentilmente estou deixando este conselho para que escolha outro filme pra assistir. Pode inclusive usar o blog pra escolher melhor. Pra mim é uma honra, este é meu principal objetivo com isso aqui.

Sobre o roteiro: Quando soube da existência desse filme, imediatamente pensei que poderia ser algo mais ou menos na linha de Der name der Rose, já que se trata de um tema interessantíssimo (e humanamente lamentável) da nossa história, que tem margem para muita literatura. Mas... resolveram pegar todo esse ambiente e transformá-lo apenas em pano de fundo pra fazer um filme de terror. O que é um problema, porque o resultado não é um filme de terror, nem de aventura, fica algo no meio do caminho entre ambos. Mas isso não é um elogio, é uma crítica a falta de direcionamento.

Enfim, depois de uma sequência inicial pra já deixar bem clara qual será a tônica do filme, vem a justificativa pra dar a premissa do filme. Um cavaleiro cruzado se arrepende de tanta matança e resolve sair do exército cristão, com seu fiel companheiro. Presos por deserção, recebem a oportunidade de receber o perdão, se cumprirem antes uma última missão. Então acompanhamos um grupo que precisa levar uma garota até um certo mosteiro onde será julgada por bruxaria. Aí coisas sobrenaturais começam a acontecer, e, ao invés de aproveitar a temática pronta e explorar o absurdo que era acusar mulheres de bruxaria, e fazer um filme maduro e crítico, contextualizado com uma sociedade e uma geração que caça várias "bruxas" (homossexuais, ateus e demais minorias à margem da sociedade) baseados no ódio cego e irracional, fruto de uma manipulação de gerações, vira um simples filme onde a bruxa realmente existe e tem super-poderes. Ou seja, vira um filme infantil. Tá, juvenil, já que a violência daqui não é indicada para crianças. Um roteiro até relativamente bem feito, mas com um tema que não vale a pena.

O que este filme tem de especial? Bom cenário, bom figurino, bons efeitos especiais... aquele padrão de grandes produções de Hollywood. Mas tudo isso soa como desperdício... Enfim, não é um filme ruim, mas é um filme que não deixa nenhum bom motivo pra ser assistido. Nem o bom elenco (até com Christopher Lee) salva o barco.

Quando e com quem assistir esse filme? Acho que é um filme que eu gostaria de ter assistido nos meus 12 à 16 anos de idade. É um típico filme de adolescente. Entretenimento vazio, roteirozinho sacado, cenas de ação desnecessárias mas bem feitas, e tal. Com um pouco mais de sangue do que o padrão teen, mas no resto, na mesma.


Ficha técnica


Elenco: Nicholas Cage - Behmen
Ron Perlman - Felson
Stephen Campbell Moore - Debelzaq
Robert Sheehan - Kay
Claire Foy - Anna
Christopher Lee - Cardeal D'Ambroise
Direção: Dominic Sena
Produção: Alex Gartner & Charles Roven
Roteiro: Bragi F. Schut
Trilha sonora: Atli Övarsson
2011 - EUA - 98 minutos - Aventura

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Vanilla Sky

Quem vê apenas o rosto de Tom Cruise na capa do filme, ou apenas lê o nada sugestivo título, corre o risco de deixar de ver um excelente filme. Eu mesmo só o assisti depois de ouvir efusivas recomendações para me mostrarem o que eu estava perdendo.

Sobre o roteiro: É um daqueles filmes que fica muito complicado falar sobre ele sem ser spoiler, mas apesar de ter um roteiro algo surpreendente, é marcante pelas idéias que traz. Claro que esse "traz" é algo questionável se tomarmos por relevante a informação de que esse filme, sob muitos aspectos, pode ser chamado de remake do filme espanhol Abre los ojos, sendo que este último inclusive traz Penélope Cruz interpretando a mesma personagem do filme do céu de baunilha. Não vi a versão europeia, e não pretendo fazer comparações.

A história mostra um playboy ricaço, mulherengo e extravagante, que se apaixona por uma mulher, sem perceber (ou sem se importar) que sua melhor amiga (com quem faz um sexozinho de vez em quando) está apaixonada por ele. Com isso, numa atitude desesperada, ela atira o carro que dirige (com ele) de uma ponte, morrendo no local e deixando-o gravemente ferido e desfigurado. Com isso, sua vida muda radicalmente. Esse é o mote para várias reflexões possíveis e diferentes temas expostos que são ideais para virar tema de um bate-papo com outras pessoas que também já viram o filme. Não é um filme parecido com Fight Club, mas nesse sentido, me lembra bastante deste.

O que este filme tem de especial? Acho que os homens entenderão. Sabe aquela sensação de quando uma garota te leva pro cinema pra assistir Twilight?! Acho que muitos homens tiveram a mesma sensação ao ir assistir Vanilla Sky. Com a diferença que depois de sair do cinema, os homens acharam o filme muito mais interessante do que as mulheres. Claro que eu estou generalizando aqui, e reconheço que isso é um erro, mas quero dizer que um dos grandes trunfos do filme foi atrair o público explorando o rosto de Tom Cruise, e trouxe uma história muito mais complexa do que as menininhas fúteis de cabeça vazia costumam apreciar. É um filme carregado de filosofia, de antropologia, de muita intelectualidade.

O elenco estelar traz algumas das melhores atuações dos protagonistas. Não me lembro de ver uma personagem de Cameron Diaz mais convincente. Ver Kurt Russel como um psiquiatra, sem uma arma, sem dar um tiro, um soco, etc, é algo que não se vê todo dia. E ver que ele se sai muito bem é ainda mais surpreendente. Diria que deve ser seu melhor filme e sua melhor atuação, talvez comparável apenas com sua atuação em Death Proof. Penélope Cruz é uma boa atriz, mas não vejo sua atuação como algo memorável. Não que seja ruim, pelo contrário. Apenas não chama a atenção em comparação com seus colegas de cena. E claro, Tom Cruise não é um dos maiores atores de sua geração só pelo seu sucesso com as mulheres, é também absurdamente convincente com seus personagens. Tem uma certa ironia no fato de ele ser mais conhecido por uma série que considero como os mais fracos filmes com ele que já vi: Mission Impossible. Direção e fotografia também são dignas de nota. Trilha sonora muito bem escolhida também, com muito do bom e velho Roquenrou. Enfim, um filme recheado de bons motivos para ser assistido.

Quando e com quem assistir a este filme? Recomendo o filme para pessoas inteligentes, com senso crítico e que gostam de assistir o filme e ficar divagando depois sobre os temas e teorias expostos na tela. Praticamente não há nada violento no filme, e apenas uma ou outra cena de sexo, mas nada lá muito picante. Enfim, um filme pra quem tem bom gosto. Nem todos vão entendê-lo, nem todos irão apreciá-lo, mas é uma obra de arte.

Ficha técnica

Elenco: Tom Cruise - David Aames
Penélope Cruz - Sofia
Cameron Diaz - Julie
Kurt Russel - Dr. Curtis
Jason Lee - Brian
Direção: Cameron Crowe
Produção: Cameron Crowe, Tom Cruise e Paula Wagner
Roteiro: Cameron Crowe (adaptado de Alejandro Almenébar) e Mateo Gil
Trilha sonora: Nancy Wilson
2001 - EUA - 136 minutos - Drama

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Papillon

Só pra quem mora ou morou em Contagem / MG, mais necessariamente na região do Eldorado: Alguém aí lembra da locadora Papillon? Foi a principal locadora da região por muitos anos, e eu até trabalhei lá um bom tempo. É desse filme que saiu o nome. Por motivos aleatórios, por muitos anos eu negligenciei o filme, e só assisti recentemente. Eu não sabia o que eu estava perdendo.

Sobre o roteiro: É um filme longo, e não se pode dizer que se trata de uma história exatamente original, o que em nada diminui seus méritos.

Esta é mais uma história sobre um cara preso injustamente que acaba indo cumprir pena mesmo assim, "comendo o pão que o diabo amassou", e passando o tempo todo pensando em fugir. Como não é um tema inexplorado, o roteiro (baseado em fatos reais e em um livro homônimo) precisa ter algo a mais. E explora facetas interessantes dos personagens, como a ética, a amizade com um famoso falsário, (Louis Dega, interpretado por Hoffman), o sofrimento, etc. Pra quem assistiu e gostou de filmes como The Shawshank Redemption, Life e Midnight Express, eu recomendo este também, que traz temática muito semelhante. E todos são muito bons. Enfim, sobre o roteiro há muito pouco a falar sem revelar o roteiro. Mas é algo intenso.

O que este filme tem de especial? Atuações impecáveis. Naturalmente que as atuações do finado Steve McQueen e de Dustin Hoffman são destacadamente notáveis, por estarem mais tempo em cena e por serem astros de Hollywood (na época, Hoffman era conhecido do público, mas não era ninguém perto de McQueen, que era o ator mais bem pago dos EUA). Para um filme de 1973, alguns parâmetros não são adequados de serem analisados por mim, que já estou acostumado com outro padrão de cinema e de tecnologia, mas o filme aparenta ser muito bem feito para sua época. despertou a minha curiosidade também o fato de que a prisão para onde eles foram mandados fica na Guiana Francesa. Alguém aí já ouviu falar de alguma coisa sobre a Guiana Francesa (ou sobre o Suriname, ou a outra Guiana)? Eu nunca (e depois é o Acre que não existe...). A trilha sonora, porém, continua muito boa. Destaque para a cena da freira (que no meu ponto-de-vista, sintetiza muito bem o que muitos religiosos pensam - e como agem).

Quando e com quem assistir a este filme? O filme tem um bocado de cenas fortes, como um cara comendo uma barata viva, cenas de violência não-recomendadas para a hora do almoço, torturas, severas perversões morais (desnecessário dizer, mas perversão vai muito além dos conceitos do senso comum que sempre associam este termo a sexo fora dos padrões), e esse tipo de coisa. É um filme longo, mas não complexo. Traz algumas reflexões até interessantes sobre os conceitos que temos sobre o sistema penal vigente. Acho que é um filme muito bom por vários motivos diferentes, que ficarão mais claros depois de assistir. Recomendo.

Ficha técnica

Elenco: Steve McQueen - Henri "Papillon" Charriere
Dustin Hoffman - Louis Dega
Direção: Franklin J. Schaffner
Produção: Robert Dorfman
Roteiro: Dalton Trumbo & Lorenzo Semple Jr. (Baseado no livro de Henri Charriere)
Trilha sonora: Jerry Goldsmith
1973 - EUA - 150 minutos - Drama